quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A Princesa e Sal

Eu gosto muito de contos orais, porque são aqueles contos que você pode aumentar um ponto e aí a histórai vai seguindo adiante,  correndo de boca em boca, todo mundo integrando  e interagindo com a  história.
E nós brasileiros e brasileiras temos uma riqueza muito grande de contos orais, pois temos três lindas matrizes que participaram da  nossa formação cultural: Os europeus, os negros e os indios.
Então temos que curtir bastante e viajar nesse imaginário que é  nosso legado, que é o  presente dos nossos antepassados para nós.

O conto que escolhi para recontar para vocês  hoje  faz parte da cultura imaterial portuguesa e chama-se originalmente " O sal e água" Tem várias versões dele, mas eu o rebatizei como a Princesa e o sal.

Este é um conto de tradição lusitana, lá da  terra do meu pai.

Espero que apreciem.




A Princesa e o Sal 

Era uma vez um rei e suas três filhas.

O rei perguntou a suas filhas, qual delas era mais a sua amiga e lhe tinha mais amor.

A mais velha respondeu:
-Meu pai, eu te amo mais do que a luz do sol.

A filha do meio respondeu:
-Meu pai, eu te amo mais do que a mim mesma.

A filha caçula respondeu:
-Meu pai, eu te amo tanto quanto a comida quer o sal.

O pai ouvindo aquilo da sua filha achou que ela não o amava tanto como as outras e a expulsou do palácio real.

A princesa andou pelo mundo, muito  triste, até que encontrou um outro palácio, numa outra cidade, onde  se ofereceu para  ser a cozinheira.

Numa noite,  no jantar, chegou à mesa  um pastel muito saboroso e quando  o rei mordeu-o achou dentro dele  um pequeno anel de ouro.

Todos ficaram curiosos para saber de quem era aquela pequena jóia e como fora parar ali.

Todas as damas da corte experimentaram o anel, mas  ele não serviu em nenhuma delas.
Chamaram então a cozinheira para experimentá-lo, e o anel serviu perfeitamente.


Esse fato chamou a atenção do princípe que curioso, começou a prestar atenção na sua linda cozinheira.

O principe então notou que a moça  cozinhava sempre às escondidas e vestida com seus lindos trajes de princesa.

Sem entender o que acontecia, o príncipe contou o que viu ao rei, seu pai.

O rei muito curioso, correu para a cozinha, onde escondido, viu que o que o  seu filho falava era a verdade, e  certo de que a moça era  filha da nobreza, aceitou que seu filho apaixonadao  se cassase com ela.

A princesa  que também amava o principe secretamente, aceitou o pedido, desde que ela mesma cozinhasse seu jantar de casamento.

Como o rei  e o noivo  estranharam o pedido, a princesa lhes contou tudo o que havia lhe acontecido na casa do seu pai.
Compreensivos, ambos aceitaram que ela fizesse o jantar de noivado.  

Para  o grande dia,  foram convidados várias pessoas, entre eles o pai, que a havia expulsado de casa  e  as   irmãs.

A festa estava alegre e farta e todos elogiavam a boa comida.

Porém, todos os pratos que  a princesa mandava para o seu pai, estavam sem sal.  Todos comiam com vontade, menos ele.

O dono da casa preocupado, perguntou ao convidado porque ele não comia a comida tão saborosa.

O rei respondeu:
- É porque  a comida não tem sal.

O pai do noivo, que já sabia de toda  a história, fingiu-se zangado e   chamou a cozinheira para lhe perguntar porque não havia posto sal na comida do rei convidado.
Quando a princesa entrou, o seu pai levou um susto daqueles ao reconhecer a filha há tanto tempo desaparecida.
 Ela lhe falou:
- Foi isso o  que eu quis lhe dizer naquele dia meu pai. Que eu te amo tanto quanto a comida precisa do sal.

O pai envergonhado abraçou a filha e chorou pelo tempo perdido, pois somente agora ele compreendia o  que a  sua  filha quis lhe dizer.

Esquecida de todo sofrimento, a princesa abraçou o pai  e as irmãs,  e felizes saudaram o reencontro.